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As congadas são um tipo de festa popular, na qual só participavam negros, escravos ou libertos, e, com o tempo, passaram a participar mulatos e brancos. Há grupos também formados predominantemente por caboclos.

O primeiro registro da existência das Congadas data de 6 de junho de 1760, na Bahia, realizada para comemorar o casamento de D. Maria I, de Portugal, com o Príncipe D. Pedro. O segundo registro é de 1793 e 1794, quando a Congada foi realizada para comemorar o nascimento da Princesa da Beira. Em 1818 se tem o terceiro registro na cidade de Tejuco (MG), como parte das festividades populares pela coroação de Dom João VI. Portanto, podemos observar que os três primeiros documentos sobre a realização da congada no Brasil ocorreram para festejar figuras reais de Portugal. É provável que o folguedo já viesse sendo realizado entre os escravos antes de 1760, mas é significativo o fato dele ser incorporado em comemorações referentes à coroa portuguesa, promovendo o diálogo entre os “Reis de Congo” e os “Dons Joãos” e “dons Pedros”, ou entre as “Rainhas Gingas” e as “Donas Marias” e “Princesas da Beira”. Dessa maneira, entre reis e rainhas simbólicos ou reais, foi se construindo o que poderíamos chamar de um “imaginário da monarquia” no Brasil.

Desde então essa festa vem sendo realizada em mais de 180 diferentes comunidades espalhadas pelo Brasil, sendo que a maioria é realizada em cidades do Estado de São Paulo.

As épocas de realização dessa festa variam consideravelmente, dependendo do calendário das festas religiosas tradicionalmente comemoradas em cada comunidade. Isso porque durante a Congada normalmente são reverenciados, conjuntamente ou separado, São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, os padroeiros dos negros no Brasil. No entanto, há também em menor proporção algumas festas onde há devoção de outros santos como o Divino Espírito Santo, Santa Efigênia, Nossa Senhora da Conceição, São Sebastião, Santa Cruz, Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora de Belém, São Baltazar, São Domingos, São Lourenço e Santo Antônio.

Existe uma grande variedade de enredos em que estão presentes figuras reais, que podem desfilar em cortejos ou fazer embaixadas, sempre acompanhadas de um conjunto musical e bailados de espadas ou bastões, nas quais se desenvolve um enredo em que duas nações entram em conflito e no final se confraternizam, mas com a conversão e subjugação de uma delas. As congadas são sempre apresentadas em lugares públicos, particularmente perto de igrejas. O figurino varia de acordo com o período e o lugar, mas nunca se usam roupas cotidianas. O que se pode dizer é que se aproximam dos figurinos da nobreza oficial antiga, aparecendo mais recentemente em misturas com trajes modernos.

Uma grande variedade de instrumentos é usada para acompanhar a congada: adufos, pandeiros, atabaques, bumbos, caixas, zabumbas, violas, violões, agogôs, triângulos, chocalhos e reco-recos. A música marca os passos dos dançadores que realizam pelas ruas e praças públicas uma coreografia, onde se destacam improvisadores que executam danças de complexas configurações.


A Festa de Maio é uma data importante para a cidade de Itapira, pois a sua história está intimamente ligada ao movimento abolicionista. No dia 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel decretou a Lei Áurea, a comunidade negra residente em Itapira festejou a libertação dos escravos junto com a irmandade de São Benedito.

Para festejar e relembrar esta data, no dia 9 de maio, às 10h da manhã, começa a festa na cidade com a comemoração do dia da mãe negra, que amamentava os filhos dos fazendeiros de café. No dia 12 de maio, às 17h, é realizada a Procissão da Corte dos Imperadores, até a Igreja de São Benedito, onde são homenageados os festeiros e é escolhido o capitão do mato. No dia 13 de maio a cidade pára para ver as comemorações da festa mais tradicional de Itapira. Logo às 9h da manhã acontecem três procissões até o largo de São Benedito onde se apresentam grupos de congadas de toda a região – congadas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, grupos de katira, capoeira e outras manifestações folclóricas.

O enredo desta congada de Itapira gira em torno de guerras especificamente travadas entre um Rei do Congo e uma Rainha Ginga, nomes que demonstram clara influência africana, e que são registrados pela história de Angola. A Embaixada termina com a vitória das forças da Rainha Ginga, passando todos os dançadores a confraternizar em cantos tradicionais e improvisados.

O encerramento da festa ocorre por volta das 17h, quando 10 mil fiéis se reúnem no largo de São Benedito para a reza campal.



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